
Votuporanga, segunda-feira, 21 de maio de 2012
Ganhar torneios, prêmios, reconhecimento... eles não estão interessados em nada disso; o que os atletas do Centro de Treinamentos para Esportes Adaptados de Francisco Beltrão-PR querem é não ficarem \"travados\" pela falta de atividade física
Francisco Beltrão formou uma equipe de handebol para cadeirantes há apenas três anos. Neste período, a seleção comemorou títulos e convocações para a seleção brasileira. No entanto, quando resolvem participar dos treinos e campeonatos, não é bem atrás de medalhas e reconhecimentos que os cadeirantes estão indo, o que querem, na verdade, é melhorar a saúde e não ficarem \"travados\" pela falta de atividade física. \"Participando do handebol, o cadeirante só vê a sua saúde e qualidade de vida melhoradas\", afirmou a professora de educação física e treinadora da equipe, Elisandra Lauffer (CREF 012224-G/PR).
Jogando handebol, os cadeirantes veem que não andar é um mero detalhe e que, com o devido apoio, podem fazer tudo o que tiverem vontade. \"A parte psicológica é bastante beneficiada, pois melhoram autoestima, temos casos de controle de depressão. Inclusive os familiares percebem que depois que o cadeirante passou a treinar handebol, todas as suas atitudes foram modificadas para melhor\", complementou a professora. \"Traz um bem-estar físico, social, psicológico. Sem contar as amizades que são feitas dentro da quadra, porque aqui ele encontra pessoas que enfrentam os mesmos problemas que ele\", detalha.
Passando para a parte dos benefícios físicos, os atletas do HCR já contabilizaram melhora no condicionamento, circulação sanguínea, reflexos. A consequência é que os afazeres do cotidiano ficam mais simplificados: andar pela casa, atravessar uma rua, e etc. \"Sem contar que quando o público assiste às partidas do HCR não vê apenas cadeirantes, mas atletas. Ou seja, temos desmistificado o conceito de que quem anda de cadeira de rodas é um ‘coitado\'\", frisou Elisandra.
Apoio
O HCR de Francisco Beltrão conta com apoio da Prefeitura, que cedeu ginásio Flavio Morcelli, do bairro São Miguel, para os treinos, e fez a doação de cadeiras de rodas apropriadas para a prática esportiva. \"É um apoio fundamental. Poucas prefeituras do Brasil auxiliam as equipes de handebol para cadeirantes como a Beltrão auxilia\", agradeceu a treinadora.
Apesar de o ginásio atender as principais demandas dos atletas, a equipe sonha com a construção do Centro de Treinamentos para Esportes Adaptados, que deve ficar localizado no Complexo Esportivo do bairro São Cristóvão. \"Nossa expectativa é que fique pronto já no próximo ano\", disse.
Fonte: Boletim CONFEF n.52